O que é acessibilidade na Web?


Até hoje pouco se falou sobre acessibilidade em sites da Internet, mas a previsão é que até o final do ano este quadro se modifique. A Lei decretada pelo presidente Lula em dois de dezembro de 2004 - um dia antes do dia mundial do deficiente – tem o artigo nº 47 que trata exclusivamente da acessibilidade para Web. A partir de dois de dezembro de 2005, exatamente doze meses a contar da data de publicação deste Decreto, todos os portais e sites da administração pública deverão ter obrigatoriamente seus conteúdos acessíveis para pessoas portadoras de deficiência visual. Aqueles que não cumprirem as recomendações do Governo ficarão sujeitos às penalidades citadas no decreto, como o corte de recursos públicos e empréstimos, sanções administrativas, cíveis e penais cabíveis, previstas em lei, entre outras.

A Lei é silente quanto aos deficientes motores, auditivos e mentais e também não mencionou nada sobre acessibilidade em dispositivos e plataformas.

O prazo máximo para a conversão poderá ser estendido por mais doze meses em Websites muito complexos, que no caso dos portais governamentais são a maioria.

O Governo Eletrônico publicou no dia 21 de janeiro o Modelo de Acessibilidade com as recomendações para construção e adaptação de conteúdos do governo brasileiro na Internet. Até dia 24 de fevereiro de 2005, estão aceitando por e-mail comentários, sugestões e críticas sobre o Modelo.

A torcida é para que além das empresas do governo e afins, as empresas privadas aproveitem a lei e também os temas em moda como diversidade e responsabilidade social, e sigam esta tendência adaptando seus Websites às regras de acessibilidade.

Criar leis no Brasil é fácil, o difícil é implementá-las. Outro dia soube que existe ou existiu uma lei que obrigava as bicicletas a ter placas exatamente como os carros. Esta, como muitas outras leis, não prosperou. Para que isto não volte a acontecer é importante a conscientização e participação ativa da população deficiente ou não. E principalmente a conscientização e capacitação dos Webdesigners, desenvolvedores e gestores responsáveis pela criação e manutenção dos sites.

 O que é acessibilidade?

Segundo o Aurélio, Acessibilidade (Lat. accessibilitate), s.f. qualidade de ser acessível; facilidade na aproximação, no trato ou na obtenção. Acessível adj. a que se pode chegar facilmente; que fica ao alcance.

 O que é acessibilidade na Internet?

Lupa de aumento É garantir que seu trabalho esteja disponível e acessível via web a qualquer hora, local, ambiente, dispositivo de acesso e por qualquer tipo de visitante/usuário.

Permitir o acesso às informações via celular, Palmtop, Web-tv, geladeira ou qualquer dispositivo atual ou futuro de acesso à Web. Permitir que seus visitantes possam acessá-las em sistemas Linux, Windows, Unix, Mac OS ou qualquer outro sistema operacional e, principalmente, que as informações possam ser acessadas por qualquer visitante, independente de sua capacidade motora, visual, auditiva, mental, computacional, cultural ou social.

É o acesso à informação sem precedentes, uma internet verdadeiramente democrática.

 Como funciona um Website acessível?

Funciona exatamente como todo Website, a diferença é que para tornar-se acessível é necessário que sejam aplicadas nas páginas algumas técnicas e regras de acessibilidade, além da correta utilização da marcação HTML/XHTML. É um erro pensar que é necessário à criação de uma outra versão do site apenas em modo texto para torná-lo acessível, assim como também é um mito dizer que Websites acessíveis têm um design limitado e pobre.

 Como os deficientes visuais têm acesso às informações?

Eles utilizam os programas chamados de “Ledores de Tela” ou screanreaders, varrem as informações da tela e falam o texto exibido aos deficientes. Utilizando a tecla TAB, as setas e teclas de atalho, navegam nas páginas através dos links, campos de formulário e textos. Para ter acesso a todos os eventos do Website é importante que eles possam ser acessados também através do teclado, sem utilização de mouse e monitor.

Os “Ledores de Tela” mais utilizados no Brasil são o JAWS (em inglês) e os tupiniquins Virtual Vision e o DOS/VOX, este último gratuito. Infelizmente são todos baseados na plataforma Windows. Até o final do ano, o SERPRO lançará seu programa "Ledor de Telas" em GNU/Linux (fonte:Portal Software Livre) sob a consultoria do professor Antonio Borges, coordenador dos projetos DOS/VOX e Motriz do Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ.

 Quais são os benefícios de um projeto Web acessível?


Gráfio de Crescimento
  • Conformidade com a Lei acima;
  • Maior visibilidade do seu negócio pelos robôs de busca como o Google, o maior usuário cego da Web;
  • Melhoria de performance e economia com custos com banda;
  • Uma home-page mais simples e fácil de usar;
  • Crescimento da audiência e possibilidade de atingir 100% de seu público alvo. Segundo censo em 2000 do IBGE, 14,5% da população brasileira têm algum tipo de deficiência;
  • Acesso à informação independente do dispositivo utilizado;
  • Manutenção mais rápida e barata;
  • Proteção contra processos pela falta da acessibilidade, fato já ocorrido nos EUA. Exemplos de processos: agência de viagem e Companhia Aérea;
  • Diferencial competitivo, melhoria da imagem da empresa e fortalecimento da sua marca.

 Quanto custa a acessibilidade?

Existe um custo para implementação da acessibilidade em Websites. É mentira falar que não existe, mas é pequeno, na verdade muito pequeno se comparado com os prejuízos que sua falta pode causar. Ele deve ser visto pelas empresas não como custo, mas como um pequeno investimento. Se aplicado corretamente, será rapidamente convertido em benefícios para sua empresa.

É importante que todos os envolvidos no processo tenham consciência da importância da acessibilidade e de suas regras, que nesse caso os agentes são: Webdesigners, programadores, criadores de conteúdo, executivos e usuários.

Quanto mais cedo a sua equipe estiver consciente da importância da aplicação desses novos conceitos de acessibilidade, menor será o investimento necessário. É muito mais econômico aplicar as regras e conceitos de acessibilidade (Cartilha de Acessibilidade – Fabio Gameleira e Recomendações do Serpro) para desenvolvimento de páginas Web acessíveis no início de um projeto, do que sua aplicação no final, ou pior, em um site já em produção.

Veja a diferença de esforço na criação de páginas Web acessíveis no início e no final de um projeto Web, respondendo às seguintes perguntas:

Qual é o custo de se digitar um texto alternativo em algumas poucas imagens explicando seu significado?

Ex.: <img src=”produtos.gif” />

Uma imagem sem acessibilidade


     <img src=”produtos.gif” 
     alt=”Produtos Comercializados” />

Uma imagem com acessibilidade através da aplicação do valor "Produtos Comercializados" na propriedade ALT do tag IMG.

Dica: A técnica de acessibilidade acima exemplificada deve ser aplicada apenas em imagens com algum tipo de informação, nunca em imagens decorativas ou spaces.gif. Para que suas páginas possam ser validadas pelos verificadores de acessibilidade como Bobby, DaSilva, Cynthia, etc., aplique um espaço em branco na propriedade ALT das imagens decorativas, conforme exemplo:

Ex.: <img src=”imagem.gif” alt=“ ” />

O ideal mesmo é não utilizar “spaces.gif”, nem tabelas para diagramar o layout de seu Website. As imagens decorativas devem ser aplicadas nas páginas através de CSS como background dos elementos, separando assim o conteúdo da apresentação.

Os validadores automáticos são gratuitos e testam via Internet a acessibilidade das páginas de seu site uma a uma. Se estiverem acessíveis segundo seus padrões, é emitido um selo com o logo do validador. Este selo pode ser aplicado nas páginas, atestando a sua acessibilidade. Caso não valide os problemas encontrados, são listados um a um em relatório detalhado sempre acompanhado de exemplos.

E qual é o custo de incluir alternativos em texto em todas as imagens relevantes de um Website com 500 páginas?

O esforço necessário para tornar acessível um site que já existe é muito maior que o requerido na construção do site, onde as técnicas de acessibilidade podem ser aplicadas de forma natural, página a página, como parte do processo de desenvolvimento e criação.

Quanto maior o número de páginas, mais demorado e caro será o processo de migração do Website.

 E se meu Website tiver 500 mil páginas, o que faço?

Seguindo o exemplo de “Jack”, devemos dividir nosso problema em pequenas partes:

  • Em primeiro lugar os responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção do Website deverão estudar as regras e técnicas de acessibilidade contidas no documento criado pela W3C - consórcio criador da Web formado pelas grandes empresas de TI - em 1999 as Directrizes de Acessibilidade do Conteúdo Web 1.0 (WCAG 1.0). É importante que os desenvolvedores também conheçam os padrões Web (Web Standards)
  • Aplicar essas regras nas principais páginas do Website - na página inicial (home-page) e nas mais importantes e acessadas segundo análise dos logs de acesso ao site
  • Testar a acessibilidade das páginas:
    • Primeiro: Teste suas páginas “acessíveis” nos diversos validadores automáticos disponíveis até conseguir validar as páginas e obter o selo de acessibilidade.
    • Segundo: Acesse seu site utilizando um “Ledor de Tela” (software utilizado pelos deficientes para acessar a Internet), desconecte seu mouse e monitor e tente navegar pelo site. Se você que conhece previamente a estrutura do site tiver dificuldade, imagine a de um visitante deficiente?
    • Terceiro: Valide o código HTML/XHTML para permitir que suas páginas sejam acessíveis em outros dispositivos e ambientes.
    • Quarto: Faça testes com os mais variados tipos de usuários, aqueles com e sem deficiências, os idosos e jovens e também os experts e leigos. Teste também em outros ambientes, fora do mundinho Windows, outros dispositivos e principalmente em navegadores além do Internet Explorer, como Firefox, Opera e o Lynx (navegador que funciona apenas em modo texto).
  • As novas páginas criadas devem seguir as regras de acessibilidade.
  • Todas as páginas que necessitarem de manutenção deverão seguir as regras.
  • As páginas com acesso intermediário deverão receber um novo design para acompanhar as regras.
  • Todas as páginas restantes do site deverão ter acessibilidade.
  • Criar um guia de acessibilidade do seu Website onde deverão ser listados: A estrutura do site – técnicas aplicadas – teclas de atalho com suas funções – endereço eletrônico do responsável pela acessibilidade do site.
  • Para finalizar, criar uma norma interna para que com o tempo o site permaneça acessível.

No próximo artigo responderemos outras perguntas sobre como construir Websites acessíveis, e ainda, começaremos a explicar e exemplificar as regras e técnicas necessárias para aplicação da acessibilidade.

Para comentar este artigo, clique aqui e utilize o blog do autor

Horácio Soares - Analista de Sistemas e WebdesignerHorácio Soares é professor universitário e trabalha como Analista de Sistemas e Webdesigner de uma multinacional.
horacio.soares@internativa.com.br