O selo não garante acessibilidade


Segundo o decreto de lei 5296, até dezembro de 2005, os Sites da administração pública deverão estar acessíveis aos deficientes visuais. Atendendo a nova Lei, alguns portais do governo lançaram novas versões de seus Web Sites.

Selo de acessibilidade Da Silva - AAA

No mês de abril de 2005, em parceria com a ONG Acessibilidade Brasil, a Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica e a Justiça Federal, tornaram-se respectivamente, a primeira agência reguladora brasileira e o primeiro portal da Justiça Federal a adequarem seus Web Sites conforme as recomendações de acessibilidade do governo brasileiro. Ambos Sites obtiveram o selo de acessibilidade do avaliador Da Silva, software desenvolvido pela Acessibilidade Brasil.

Programas avaliadores de acessibilidade são softwares que detectam o código HTML de uma página Web e fazem uma análise do seu conteúdo, normalmente baseados na Iniciativa de Acessibilidade na Web do W3C. Dentro de um conjunto de regras, avaliam o nível de acessibilidade das páginas pesquisadas, produzindo relatórios detalhados segundo três níveis de prioridades listadas abaixo:

Prioridade 1 - Pontos que os criadores de conteúdo Web devem satisfazer inteiramente. Se não o fizerem, um ou mais grupos de usuários ficarão impossibilitados de acessar as informações contidas no documento*.

Prioridade 2 - Pontos que os criadores de conteúdos na Web deveriam satisfazer. Se não o fizerem, um ou mais grupos de usuários terão dificuldades em acessar as informações contidas no documento*.

Prioridade 3 - Pontos que os criadores de conteúdos na Web podem satisfazer. Se não o fizerem, um ou mais grupos poderão se deparar com algumas dificuldades em acessar informações contidas nos documentos*.

* Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da Web - 1.0, versão traduzida para o português de Web Content Accessibility Guidelines 1.0, do W3C.

Testando ambos portais no avaliador "Da Silva", obtive os seguintes relatórios:

O site da ANEEL foi aprovado sem erros. O relatório listou nove avisos sobre itens de prioridade 1 com 451 casos verificados, catorze avisos de prioridade 2 com 403 casos e onze avisos de prioridade 3 com 788 casos. Os avisos são verificações/recomendações feitas pelo avaliador em função da impossibilidade destes softwares testarem e assegurarem a acessibilidade em muitos itens. Como por exemplo: a identificação clara do destino de cada link, a utilização da linguagem mais clara e simples possível ou ainda, assegurar que todas as informações veiculadas com cor estejam também disponíveis sem cor. Os avisos devem ser verificados manualmente pelo desenvolvedor Web para garantir a acessibilidade do Site.

O site da Justiça Federal não foi aprovado pelo "Da Silva” por apenas um erro de prioridade 3. O relatório listou doze avisos de prioridade 1 com 507 casos verificados, seis avisos de prioridade 2 com 65 casos e oito avisos de prioridade 3 com 419 casos.

Obs.: Como o portal da Justiça utiliza uma inexplicável estrutura de frames logo na Home, capturei a URL principal para fazer o teste:

http://www.justicafederal.gov.br/sysportal_desenv/publicacao/inicial.wsp

Os avaliadores são ferramentas úteis durante o processo de desenvolvimento de Web Sites acessíveis. Estes softwares ajudam o Webdesign/desenvolvedor, a encontrar erros e esquecimentos, apontando com exemplos, como acertar os itens listados.

Apesar de úteis, não são perfeitos e muito menos inteligentes. Os selos de acessibilidade fornecidos por estes softwares não são garantia de acessibilidade. Do mesmo modo que a falta do selo, não impede que um determinado Site seja acessível.

Os portais da Aneel e Justiça Federal, aplicaram as regras de acessibilidade para atender as exigências do avaliador de acessibilidade e obtiveram o selo. De acordo com a lei, estão acessíveis, mas quando fazemos uma análise sobre a usabilidade, navegabilidade e acessibilidade destes portais, percebemos que ainda não estão totalmente acessíveis e possuem diversos erros que impossibilitam e dificultam o acesso a algumas informações.

Observando mais atentamente os portais, percebemos claramente que seus objetivos não eram de prover acessibilidade, e sim, a validação de seus Web Sites pelo avaliador Da Silva.

Fiz uma lista dos erros de acessibilidade que encontrei nas Home-pages, entre os dias 10 e 11 de maio de 2005. Vejamos alguns erros encontrados em ambos os sites:

Seguindo as recomendações da iniciativa de acessibilidade da W3C, quando utilizamos uma função JavaScript em uma página HTML, devemos incluir o tag “noscript” acompanhado de informação equivalente a fornecida pela função.

Na Home da Aneel, temos uma função JavaScript que abre uma janela do tipo PopUp, que são aquelas janelinhas nada amigáveis e acessíveis, que pipocam na tela sem pedir passagem. Acompanhado da função, eles utilizaram o tag noscript para atender a verificação dos avaliadores conforme descrevo abaixo:

<noscript>
   Esse script abre uma janela pop-up para o usuário.
</noscript>

Qual é a relevância da informação que está entre os tags noscript? Nenhuma, simplesmente não fornece acesso à informação contida na nova janela.

O mesmo acontece no site da Justiça Federal, só que a solução encontrada para validar as funções em JavaScript, foi ainda pior. Eles simplesmente aplicaram o tag sem nenhum conteúdo entre sua abertura e fechamento. Exemplo:

<noscript> </noscript>

Aplicaram o tag para atender as regras de acessibilidade, mas não tornaram o script acessível com a disponibilização de conteúdo alternativo.

É a mesma coisa que colocar uma cabine da polícia em uma praça pública e não designar nenhum policial para administrá-la. Não serve para nada!

Outro erro comum aos dois projetos, foi a aplicação de pequenos links com texto do tipo “Leia Mais”, logo após as chamadas para notícias. Ambos portais recorrem a está antiga técnica, pouco acessível, logo em suas páginas de entrada.

Os deficientes visuais acessam a Internet com programas chamados “Ledores de Tela” ou screanreaders. Normalmente navegam nos Sites utilizando apenas o teclado, não usam mouse nem monitor. Através das teclas TAB, setas e teclas de atalho, acessam os links, campos de formulário e textos contidos na página.

Quando um deficiente utilizar a tecla TAB para navegar através dos links das home-pages da ANEEL e Justiça Federal, em um determinado trecho da página, receberão mensagens inteligíveis e repetidas. Na Home da ANEEL, repetidas mensagens de “leia mais”. Leia mais o que? Na Home da Justiça Federal, ainda tentaram tornar os links mais acessíveis colocando a propriedade “TITLE” no tagA”, mas aplicaram um valor que não resolveu muita coisa. Neste caso, as repetidas mensagens foram: “Leia mais sobre esse texto em destaque”. Um pouco diferente do “leia mais”, mas ainda pouco acessível e até mais verborrágico.

Vejamos alguns dos erros encontrados somente na Home da Aneel:

- Logo no início da página, seguindo uma padronização governamental, o portal disponibiliza um menu do tipo select com uma lista com links para sites do governo brasileiro. Quando alguma das opções e selecionada, automaticamente é aberta uma nova janela do navegador com o site escolhido utilizando uma função JavaScript. Isto me levou a fazer algumas perguntas:

Na falta de um dispositivo que entenda JavaScript, conseguirei utilizar o menu? Não!

Se eu tiver algum problema de coordenação motora, ou se não tiver experiência no uso do mouse, ou ainda, se o meu mouse estiver sujo, conseguirei utilizar adequadamente o menu? Não!

Eles fizeram algum tipo de teste de usabilidade antes de lançarem suas novas versões? Não!

Será que o menu poderia ser um pouco mais acessível? Sim, muito mais acessível! Bastaria tirar as funções JavaScript, colocar um botão de interação para confirmar a opção selecionada e aplicar uma propriedade TITLE no tag SELECT com um valor que explicaque de forma simples, o objetivo do menu.

- O menu principal do portal tem um botão que serve para esconder e mostrar o menu, algo como um botão de liga e desliga. Esse tipo de evento além de não ter utilidade nenhuma, pode confundir e atrapalhar alguns usuários. O excesso de código necessário para realizar a tarefa de liga/desliga, faz com que a página fique ainda mais lenta.

- Disponibilização de um gif animado (imagem animada quadro a quadro no formato GIF dando a impressão de movimento), para divulgar o novo 0800 da ANEEL. Até aí tudo bem, só que na hora de aplicar um texto alternativo na imagem para torná-la acessível, colocaram apenas “0800 da ANEEL”. Saber que a ANEEL tem um 0800 não adianta muita coisa quando não se tem acesso ao número, vocês não acham?

- O link para o código de ética está apontando diretamente para um arquivo PDF. Navegando pela Internet, ao clicar em um link, o internauta espera ser levado para uma outra página HTML, e não iniciar o download/abertura de um arquivo com formato e tamanho desconhecidos. Quando isso ocorrer, eles devem ser avisados com indicação adequada e prévia. Não podemos esquecer que muitas pessoas utilizam internet sem banda larga e que o PDF, ainda não é um formato muito acessível.

- Diversos links para siglas desconhecidas pela maioria dos internautas, como por exemplo: ATLAS, WAP, ARIAE 2000 e ABAR. Tirando a sigla WAP que corresponde a Wireless Application Protocol (protocolo para aplicações sem fio), eu não faço a menor idéia do que sejam as outras siglas.

- Junto com a chamada para notícias, tem uma imagem com link que não tem alternativo em texto aplicado nem título para o link. Aplicaram na imagem a propriedade ALT com valor nulo e não utilizaram a propriedade TITLE para tornar o link acessível.

<a href="/arquivos/PDF/boletim174.htm#texto1">
      <img src="/imagens/Banner_fiscal_01.jpg" 
      border="0" height="102" width="149" alt=" ">
</a>

Vejamos agora alguns dos erros encontrados na Home da Justiça Federal:

- Não aplicaram um título logo na página de entrada do site. A tag “TITLE” está lá, mas sem nenhum conteúdo que identifique o Site. A primeira coisa que o “ledor de telas” lê ao carregar uma página, é o seu título. Ele também é importante para orientar o maior usuário cego da Web, o Google.

- Apesar de não utilizarem tabelas para diagramar o Web Site, não souberam adequar-se aos padrões Web (Web Standards) corretamente. Acabaram trocando as aninhadas tabelas, por intermináveis DIVS. O objetivo principal dos padrões Web é a separação da informação da apresentação. A home-page da Justiça Federal mistura diversas vezes à apresentação com o conteúdo ao utilizarem estilos CSS inline, ou seja, estilos aplicados diretamente nos tags HTML.


Para enriquecer a análise dos portais, realizei testes com outros softwares, também disponíveis via Web, que testam e geram relatórios sobre a acessibilidade, velocidade do site, quantidade de conteúdo versus marcação HTML e validação do código das páginas Web.

A primeira ferramenta utilizada, foi outro analisador de acessibilidade, o software americano WebXACT, ou Bobby como era conhecido.

Iniciei testando a Home da Aneel e o relatório do WebXact (Bobby) listou três erros de prioridade 2 com 7 casos encontrados e três erros de prioridade 3 com 115 casos. Na lista de avisos, onze de prioridade 1 com 114 casos encontrados, dezoito de prioridade 2 com 124 casos e nove de prioridade 3 com 9 casos.

Na Home da Justiça Federal o relatório apontou 3 erros de prioridade 2 com 9 casos encontrados e outros 3 erros de prioridade 3, com 66 casos. Na lista de avisos, 10 de prioridade 1 com 96 casos encontrados, 18 de prioridade 2 com 104 casos e 8 de prioridade 3 com 8 casos listados.

O WebXact listou nos portais erros de prioridade 2 e 3 não apontados pelo Da Silva. Esses erros criam dificuldades para os usuários acessarem as informações contidas no documento.

Continuei a análise aplicando testes com o software Web Site Optimization. Ele gera relatórios sobre a velocidade de download do site em diversos tipos de conexões. Também calcula o tamanho de cada um dos arquivos utilizados pelo site, como arquivos de folhas de estilos, JavaScript, flash, imagens, etc.

“Se a homepage for lenta, os usuários concluirão, com toda razão, que o restante do site será lento, e que será uma tortura utilizá-lo, o que os leverá a abandonar definitivamente o site”. Jackob Nielsen em seu livro Homepage Usabilidade – 50 Web Sites descontruídos.

Como resultado da análise, na Home da ANEEL em uma velocidade de conexão de 56K, a página demorou um total de 36 segundos para ser carregada. Na velocidade de 33,6K, quase um minuto.

Na Home da Justiça Federal, nas mesmas velocidades de 56k e 33,6k, a página de abertura demorou respectivamente 29 e 49 segundos para ser carregada. Uma performance melhor que o site da Aneel, porém ainda lenta, se considerarmos que a paciência dos usuários termina após alguns poucos segundos de espera. Segundo pesquisa, depois de 10 segundos de espera sem resultado, o internauta pode perder a concentração e resolver navegar em outros mares distantes e não mais retornar ao nosso site. Se tivessem aplicado corretamente os padrões Web, o portal da Justiça poderia melhorar bastante seu resultado e performance.

No artigo ”Melhorando o Desempenho e Acessibilidade”, mostro os resultados de testes de stress realizados em um site com duas versões diferentes, uma antes e outra depois de aplicação dos padrões Web. Utilizei para os testes de stress a Ferramenta Rational Suite TestStudio. O resultado da aplicação dos padrões Web no site foi significativo.

A seguir, utilizei o serviço de validação de código (Markut Validation Service) do W3C, que identifica o tipo de documento HTML/XHTML utilizado e testa se o código é valido segundo as suas normas. Um a um, os erros encontrados pelo software são identificados e localizados.

No portal da Justiça, o serviço de validação identificou o documento como HTML versão 4.01 Transitional. O resultado do teste foi negativo, a página não é valida HTML 4.01 e foram encontrados nada menos do que 198 erros em uma só página.

Na Aneel, o serviço identificou o documento como HTML versão 4.0. O resultado também foi negativo, a página testada não é valida como HTML 4.0 e foram listados 24 erros.

Validar ou não validar o código de suas páginas? Essa é a dúvida de muitos desenvolvedores Web. Jonas Galvez escreveu um excelente artigo sobre o assunto em seu blog (http://jonasgalvez.com/br/blog/2004-06/validacao).

Em um trecho do artigo, diz que:

“ ...Os browsers de hoje são liberais, tentam apresentar, da melhor forma possível, qualquer peça de HTML incorreta, muitas vezes de forma transparente para o usuário. Por essa comodidade, por esta complacência com o erro, desenvolvedores web não têm o mínimo de incentivo para validar suas páginas...”

Isto acontece, principalmente por culpa do IE (Internet Explorer) que é muito complacente com erros que podem comprometer a acessibilidade das páginas Web.O IE domina este mercado com cerca de 87% dos usuários de Internet segundo estatística de abril da Onestat.com.

Páginas validadas são mais acessíveis aos diversos sistemas, navegadores, dispositivos e outros meios existentes. Interoperabilidade e portabilidade são questões importantes e devem ser levadas em conta.

Ainda testei os portais em um último software, o Get Content Size. Ele calcula a quantidade de conteúdo em comparação com a quantidade de marcação (código) HTML utilizada para formatar o documento. O software não leva em conta as imagens, arquivos scripts anexados e folhas de estilo em seu relatório. Simplesmente calcula a quantidade de marcação HTML utilizada para formatar o documento versus seu conteúdo.

Testando a Home da Aneel, obtive o seguinte resultado:

- Percentual de conteúdo em texto 5.8%

- Percentual de marcação HTML 94,2%

Não chegou a 6% de conteúdo em comparação com a quantidade de marcação utilizada.

No Site da Justiça o resultado foi um pouco melhor, a razão entre marcação e conteúdo chegou quase a 20% por 80%.

Qual deve ser a razão perfeita entre conteúdo e marcação HTML? 30 por 70, 50 por 50? Não existe resposta certa, mas sem sombras de dúvidas, uma razão um pouco mais equilibrada do que os 6 por 94 do site da Aneel. Agora podemos entender porque a sua página demora tanto para ser carregada.

Se tivesse aplicado os padrões Web (Web Standards) no lugar de usar muitas tabelas aninhadas para formatar o site, a razão entre ambos, estaria naturalmente mais equilibrada e a página muito mais leve.

A Justiça Federal apesar de não utilizar tabelas para formatar o seu layout, acabou trocando seis por meia dúzia ao encher a página com DIVs no lugar de tabelas o que acabou prejudicando seu resultado.

Como último teste, solicitei a um amigo deficiente visual e professor de HTML e acessibilidade em Websites, o Marco Antonio Queiroz, ex-programador do SERPRO, que avaliasse o nível de acessibilidade dos Sites em análise.

Na época em que solicitei a ajuda ao MAQ, como é conhecido na Internet, ele estava re-lançando seu livro Sopro no Corpo na XII Bienal do Rio de Janeiro.

Mesmo muito ocupado, ele fez uma breve análise somente do portal da Aneel que transcrevo abaixo:

  • O site está acessível, mas pouco planejado para a navegação de pessoas cegas;
  • Os accesskey (atalhos via teclado), não estão funcionando e nem as âncoras fazendo link para a mesma página;
  • Não consigo ir do menu para o conteúdo diretamente;
  • Não estou analisando o código por falta de tempo, mas a navegação não está otimizada, ou seja, navega-se muito para se chegar a um lugar pré-determinado;
  • O menu em flash está acessível, mas a Biblioteca Virtual ficou meio incompreensível devido a uns números que aparecem sem que eu entenda o por que?
  • Entrei no link "Consumidor de Energia" que demorou um tempo enorme para quem está com uma conecção a cabo e quando abriu, até chegar ao conteúdo principal da página, tive de navegar com o tab umas 38 vezes;
  • Dentro de um contexto geral, porém, o site é acessível. Eu diria apenas que não é planejado, que foi feito com regras de acessibilidade, mas não com lógica, e que, não foi testado por um cego, o que poderá ser feito com ajuda de colegas com minha deficiência entrarem na página.
  • Depois de aplicarem as regras de acessibilidade, deveriam retirar o mouse e monitor e tentar, via teclado, chegar aos conteúdos dos menus. Só se colocando na nossa pele, da-se conta da situação real.
  • Eu diria, enfim, que está bom para um site do governo, pois a maioria é de deixar qualquer cego louco e com mais um motivo para reclamar do governo!

Ao fazer um balanço dos resultados dos testes aplicados nos portais Aneel e Justiça Federal, analisando as listas de erros de acessibilidade e o depoimento do MAQ, cheguei as seguintes conclusões:

  • O objetivo de ambos portais não era prover acessibilidade, e sim, aprovar suas páginas no avaliador Da Silva, e desta forma, ficar em complacência com as normas de acessibilidade do governo eletrônico;
  • Quando comparamos o nível de acessibilidade dos sites da Aneel e da Justiça Federal com outros, podemos perceber claramente alguns avanços, até porque, como colocou o MAQ: “a maioria dos sites do governo são de deixar qualquer cego louco”;
  • Apesar do avanço, eles ainda apresentam diversos problemas de acessibilidade conforme listei no artigo, e ambos portais precisam ajustar seus objetivos e corrigir os erros;
  • Não foram aplicados testes de acessibilidade e usabilidade com os diferentes tipos de usuários, dispositivos, sistemas e navegadores;

Fiquei decepcionado com o resultado, mesmo estando as Homepages mais acessíveis frente a grande maioria dos portais governamentais. O objetivo principal dos portais era estar em conformidade com o Da Silva, e consequentemente, com as diretrizes de acessibilidade do governo. Acontece que estar em conformidade com a lei, não significa estar necessariamente acessível.

Perderam a oportunidade de fornecer democraticamente a informação, seja para quem for, independente de cultura, experiência, idade, deficiência, etc.

É importante que chamemos atenção agora, para que amanhã, todos os outros portais do governo não venham a seguir o caminho teoricamente mais curto, mais pouco acessível da Aneel e Justiça Federal. Caminho que inicialmente pode atender as diretrizes, mas não democratiza a informação.

Sugiro que se criemos um grupo independente para avaliar a acessibilidade dos Web Sites de administração pública. Desenvolvimento de uma metodologia participativa, não só para apontar os erros, mas para propor soluções acessíveis através de exemplos práticos e estudos de caso. Um grupo formado pela diversidade, com pesquisadores da academia, deficientes, desenvolvedores, Webdesigners e empresas públicas e privadas.

Quem se habilita?

Obs.: Os testes foram realizados durante o mês de maio de 2005 e quaisquer alterações nos portais pesquisados após esta data, não foram contempladas neste artigo.


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Horácio Soares - Analista de Sistemas e WebdesignerHorácio Soares é professor universitário e trabalha como Analista de Sistemas e Webdesigner de uma multinacional.
horacio.soares@internativa.com.br