Gestão do Conhecimento


 Velocidade do pensamento X Tomada de decisão.


A sobrecarga de informações já foi diagnosticada como um dos grandes males da globalização e do mundo conectado. Em um cenário de extrema competição empresarial, no qual o acesso à informação correta não importa onde ela esteja localizada e em qual dispositivo, pode indicar o sucesso ou o fracasso de uma determinada negociação. Existe uma tendência crescente de envio e de acesso a informações estratégicas, na maioria das vezes a partir da utilização de ferramentas de automação de escritório como o correio eletrônico, o browser, a planilha eletrônica, o banco de dados e o processador de textos.

Quem recebe mais de cem mensagens de correio eletrônico por dia conhece as dificuldades geradas pelo excesso de informações recebidas. Muitos executivos reclamam que, depois do correio eletrônico, tiveram de adicionar pelo menos mais uma hora por dia à sua longa rotina de trabalho. Pesquisar informações, varrer os emails, separar o joio do trigo é uma tarefa que, se não for bem administrada, poderá contribuir para o atraso na tomada de decisões empresariais, um caso típico do remédio que, administrado em dose excessiva, prejudicou ainda mais o doente.

Da mesma forma que o sistema nervoso biológico detecta mudanças no nosso corpo humano e comanda alterações biológicas no organismo, o Sistema Nervoso Digital tem o papel de preparar a corporação para um mundo de extrema competição e, ao mesmo tempo, de melhoria do relacionamento com parceiros e consumidores.

Parece incrível, mas muitos gerentes continuam agindo como o feudalismo ainda fosse o modelo social e econômico vigente. A cultura de muitas empresas resiste fortemente a sair da era agrícola ou da era industrial e entender que estamos na era do conhecimento. O que caracteriza o período atual é a especialização de qualquer assunto que possamos imaginar.

Hoje há médicos especializados em unha do dedão ou técnicos concentrados em otimizar a performance de um determinado banco de dados para um certo sistema operacional. A conclusão é que ninguém pode conhecer tudo sobre tudo. O que significa que nenhum chefe consegue aglutinar todo o conhecimento que todos os profissionais de sua equipe detêm.

O gerente cada vez mais é o maestro da equipe. E, em breve, venderá para seus clientes, internos ou externos, as competências individuais e coletivas de sua equipe. No futebol, 11 jogadores entram em campo. O papel do técnico é muito importante mas fica fora de campo. Com as equipes de trabalho também será o mesmo: os holofotes irão para os membros da equipe. O chefe trabalhará nos bastidores para garantir o sucesso do time.

Hoje as empresas vencem ou são derrotadas pelo fato de utilizar bem ou mal as informações corporativas, de forma geral as informações mais relevantes para que um gerente ou tomador de decisões analise informações, conclua seus diagnósticos de forma rápida e instrua as táticas e estratégias ao seu grupo de trabalho.

Peter Drucker afirma que “A próxima sociedade será uma sociedade do conhecimento. O conhecimento será seu recurso chave e os trabalhadores de conhecimento irão construir o grupo dominante da força de trabalho. As três características principais dessa sociedade serão:

  1. Ausência de fronteiras, porque o conhecimento se desloca com menos esforço até do que o dinheiro;
  2. Mobilidade para cima, disponível para todos por meio de uma educação formal facilmente adquirida;
  3. Potencial para o fracasso, assim como para o sucesso. Qualquer um pode adquirir os “meios de produção”, isto é, o conhecimento exigido para a tarefa, mas nem todos podem vencer”.

Essas três características em conjunto tornarão a sociedade do conhecimento altamente competitiva, tanto para organizações quanto para indivíduos. A tecnologia da informação, embora seja apenas uma das muitas novas características da nova sociedade, já está tendo um efeito enormemente importante: ela está permitindo que o conhecimento se espalhe quase instantaneamente e se torne acessível a todos. Dadas a facilidade e a velocidade com a qual a informação se desloca, todas as instituições na sociedade do conhecimento – não só as empresas, mas também escolas, universidades, hospitais e, cada vez mais, órgãos governamentais – terão de ser competitivas em termos globais, embora a maioria das organizações continue a ser local em suas atividades e em seus mercados. Isso porque a Internet manterá os clientes de qualquer lugar informados sobre o que está disponível em qualquer parte do mundo e a que preço.

Christiana Nantes é pós-graduada em Administração e Tecnologia da Informação pela UFF e Analista de Negócios de uma multinacional.
christiane.nantes@internativa.com.br