Gestão da Qualidade


Mais um projeto, mais uma batalha – 2ª Parte

Realmente eu não poderia deixar aquele meu primeiro artigo deste mesmo título sozinho aqui no Internativa. E, é muito importante refletirmos sobre a perspectiva que estamos tendo do nosso trabalho, do nosso cotidiano. Não adianta, quem determina a satisfação do seu trabalho é o conjunto de expectativas que somente você tem. Se a maioria destas expectativas está sendo atendida, dificilmente você trocará “seis por meia-dúzia” ao analisar propostas de emprego de outras empresas. E, uma característica determinante no nosso comportamento, e que é completamente dependente deste conjunto de expectativas citado, é o trabalho em equipe.

É bem verdade que talvez eu devesse ter escrito este parágrafo acima no artigo anterior. Faço esta observação porque nunca podemos esquecer que estamos o tempo inteiro lidando com pessoas, e que, em uma posição de liderança/gerência de projeto, não se pode simplesmente ignorar as reações da equipe, como também não se pode simplesmente agir e reagir sem um leve filtro de bom senso. Lembro-me de um filme, que conta a história verídica de um submarino americano na 2. grande guerra, onde a tripulação está sob o comando de um oficial não muito experiente. Este não quis dar muito crédito aos ensinamentos duros, conservadores, e impiedosos do seu superior, e tentou ser “humano” demais. No início sofreu um pouco de falta de respeito e de subordinação, porém, ele conseguiu restabelecer em seguida a sua devida autoridade.

É interessante observar que muito já se falou em “organizações horizontais”, mas o que eu já pude vivenciar e compartilhar informações com profissionais de minhas ex-empresas, de amigos do tempo de faculdade, e de meus atuais empregos, é que a maioria das pessoas quer realmente ter no seu líder/gerente uma referência de “superior”, com leves nuances àquela imposta de forma massacrante no ambiente das forças armadas. Aparentemente, isto não teria nada a ver com Qualidade em desenvolvimento de sistemas. Então, explique-me a (falta de) motivação de alguém da sua equipe simplesmente ficar esperando algum problema ser identificado pelo chefe sem solucioná-lo, do porquê de várias inconsistências serem detectadas pela equipe na estratégia do projeto, ou até mesmo ser detectada sua inviabilidade, e simplesmente ninguém tenta sugerir mudanças em uma reunião de apresentação de projeto, e, talvez resumindo, porque se fica aguardando um aval explícito do chefe para se dar determinados ‘próximos passos” em tempo de projeto, em vez de arriscar, de obter resultados logo, de acreditar em aplicar aquilo que se imaginou.

Lembrando que estamos em uma equipe de trabalho, e isso pressupõe forte colaboração e participação de todos. Não podemos deixar um companheiro nosso mergulhado em dúvidas por muito tempo, que é um conceito que baliza a técnica de “Pair programming”, não podemos ficar presos à promoção individual de competência, a não compartilhamento de informações, a resquícios de auto-afirmação, de construção de “trincheiras de sobrevivência”, e a qualquer obstáculo de ordem pessoal ou organizacional que venha a impactar no bom e produtivo relacionamento da equipe.

Assim sendo, não podemos ficar esperando que a garantia do sucesso do projeto em que estamos trabalhando esteja no exclusivo brilhantismo do gerente, tampouco no exclusivo brilhantismo da equipe. De que adianta ter uma ótima equipe alocada, se o gerente não tem a percepção de “lubrificar a máquina” quando necessário, isto é, combater constantemente qualquer coisa que possa vir a impactar no desempenho desta brilhante equipe? Se não souber como melhor aproveitar as habilidades de cada um e do grupo como um todo?

Por mais que existam padrões de processo de desenvolvimento, padrões de gerenciamento de projeto, melhores práticas e técnicas de mercado, e, em uma situação maravilhosa, uma alocação ótima de recursos financeiros, de hardware e software, etc., o sucesso do projeto fica dependente da disposição, motivação, competência e da correta utilização das habilidades da equipe de desenvolvimento e de seu gerente. Como esta referida situação maravilhosa sobre recursos é rara, e como não se pode ficar na ilusão de contratar somente excelentes profissionais, essa tal de qualidade precisa ser perseguida por cada um, pela noção que cada um de se superar, e de superar sozinho e em grupo as expectativas do cliente e dos níveis hierárquicos superiores de sua organização, sempre liderada e coordenada por um líder competente com percepção orientada a riscos e entrega de resultados. Muita disciplina se faz necessária, pois somente ter conhecimento, e não saber aplicá-lo devidamente, não trará a esperada qualidade nos resultados de seu projeto.

Obrigado pela atenção dispensada por tantos amigos que visitam os artigos no Internativa. E, não se esqueça de ler os artigos de meses anteriores, que estão nesta lista logo abaixo.

Até o próximo artigo!!

Marcelo Jacintho
marcelo.jacinto@internativa.com.br