Agora, nesse exato instante, como está seu projeto?“Meu projeto está bem, dentro do previsto.” , ou “Está pegando fogo! É problema atrás de problema!!”. Não raro seu gerente ou alguém superior a ti estará te fazendo esta pergunta, sem você estar necessariamente preparado para respondê-la. Nada fora da normalidade. Basta “simplesmente” que se tenha a resposta correta. Talvez iremos lembrar das vezes que se falou que estava “tudo bem” em um dado projeto, porém as coisas não estavam tão bem assim... Talvez alguns lembrarão até das vezes que precisou disfarçar por alguns instantes(ou horas, ou dias!) a verdadeira situação do projeto. Ora, nenhum desses momentos está refletindo qualidade nos esforços de seu projeto. E, pior ainda, a sua equipe pode estar demonstrando grande empenho para entregar um sistema correto, e isso simplesmente não consegue ficar explícito junto aos níveis gerenciais.
Antes de qualquer coisa, quando se está falando sobre o momento atual de um projeto, é necessário enxergar o escopo deste projeto como um todo, isto é, não perder a referência do que já foi executado e do que está planejado para executar. Sabendo o caminho trilhado pela equipe, as lições aprendidas após sobreviver a supostos impactos referentes a utilização da tecnologia, ao comportamento do cliente e seus representantes, a relacionamentos internos da equipe, etc., e não perder o foco do objetivo final do projeto. Simplesmente registrar a fase atual do projeto, e dizer que se está perto do fim desta, não enaltece e muitas vezes não satisfaz os anseios por qualidade das organizações.
É interessante que, após uma verdadeira temporada de palestras, debates e apresentações sobre metodologias ágeis, processo unificado, e, enfim, sobre estratégias de ciclo de vida, ainda permanecem um pouco nebulosos determinados conceitos primordiais a qualquer visão que se queira ter de um projeto. Aparentemente, o termo “fase” começou a ser indiretamente sufocado pelo surgimento da “iteração”, porém o ponto de controle da iteração talvez não esteja dentro do macro objetivo da fase que contém esta iteração. Pronto, começa a confusão. Ainda precisamos amadurecer muito para compreender todos os pontos e momentos de um ciclo de vida de um projeto.
É interessante exercitar com freqüência esta visão resumida de todo o escopo do projeto, haja vista ser essencial para todos os envolvidos saberem “para onde esta equipe está correndo”, e, obviamente, para a própria equipe saber para onde está indo. Alguém lembra aqui de ter visto em alguma empresa, grudado na parede, uma cópia do cronograma, com 3 folhas ou mais, uma colada na outra, e todas coladas na parede, e ai alguém chega perto destas folhas, faz uma cara séria, de sábio(lembram daquele comercial do Estadão ?!) e, sai de fininho antes que apareça alguma pessoa fazendo alguma pergunta cabeluda sobre a sua virtual análise deste cronograma...(tá bom, tá bom, eu também já fiz isso...) Pois é, os esforços são válidos, disseminar o cronograma, buscando o compromisso e a visibilidade, mas adianta olhar e tentar analisar algo que não se conhece?
Logo, não adianta fugir dos principais conceitos. Em uma fase, os esforços da equipe estão concentrados para um macro – objetivo do projeto. Exemplo: na fase de Implantação, os analistas estão investidos na missão de fazer a migração correta dos componentes do sistema construído, dentro da arquitetura projetada e executada. Sob a ótica de Planejar - Executar - Controlar, houve um planejamento para as atividades desta fase de implantação, constantes em um Plano de Implantação, que pertence a um Plano de Desenvolvimento de Sistemas. Durante a execução, isto é, durante a efetiva execução das atividades desta fase, conforme anteriormente planejado, com suas devidas revisões validadas, se porventura existirem, procedendo uma contínua verificação do cumprimento destas atividades, controlando o pleno atendimento ao planejamento inicial.
Se, durante a fase de Implantação, o gerente prefere implantar cada módulo ou parte independente de um sistema, executar testes unitários e integrados, validar estes resultados, para posteriormente migrar outra parte do sistema, uma sugestão é fazer iterações dentro desta fase. Em uma iteração presume-se conseguir um objetivo mais detalhado de uma fase. Exemplo : Sistema a ser implantado tem oito módulos. Logo, na fase de Implantação, podem ser planejadas e executadas oito iterações, visando a migração de cada módulo.
Ao terminar uma iteração ocorre o confronto entre o que foi planejado e o que foi executado para esta iteração somente, isto é, efetivamente entregue. Uma iteração não atravessa fases, logo uma iteração não comportará o fim de uma fase e início da próxima fase dentro de suas atividades. Logo, o fim de uma fase não poderá acontecer durante uma iteração! Pode sim ocorrer após o final da última iteração de uma fase.
Será que você tem uma equipe que poderia, neste nosso exemplo, estar trabalhando em paralelo? Se sim, das oito iterações planejadas, considerando os aspectos de viabilidade técnica e arquitetural, alguns módulos poderão estar sendo implantados em paralelo. E isso fica refletido no cronograma de projeto quando se tem iterações desta fase de implantação com datas de início equivalentes. Teria então, por exemplo, a iteração 1 iniciando junto com a iteração 2, e as iterações restantes seguiriam uma ordem de execução segundo a estratégia do gerente. Mas discorrer sobre isso é algo para um outro artigo...
Tudo isso foi somente para dizer : Cuidado, não perca a referência de que uma fase contém iterações, e dentro de uma iteração, existem atividades e artefatos a serem utilizados e produzidos. Ao final de cada iteração há uma validação do que foi feito, e ao final de cada fase, os resultados de todas as iterações serão revistos e consolidados.
Abraço a todos, e até o mês que vem!
Marcelo Jacintho
marcelo.jacinto@internativa.com.br