Marketing Esportivo


O Marketing de Emboscada.

O termo é novo, mas a malandragem é bem antiga. Marketing de emboscada é uma estratégia que consiste em tirar proveito publicitário invadindo um evento ou espaço de um veículo de comunicação sem amparo contratual com os detentores do direito (sic última edição da Revista Exame).

Os exemplos estão aí para todo mundo ver. O clássico sinal de “número 1” que os jogadores brasileiros faziam nas comemorações de gols na Copa de 94 (em homenagem à Brahma) e os estudantes que tatuaram o símbolo da Reebook em suas testas na Maratona de Boston em 2003. Em ambos os casos, as empresas citadas pegaram carona em eventos cujos direitos foram comprados – a custos elevadíssimos – por seus concorrentes: a Kaiser, a Antarctica e a Adidas.

O alerta contra este tipo de “patrocínio pirata” já ecoou em dois grandes eventos: a Copa do Mundo da Alemanha e os Jogos Pan Americanos do Rio de Janeiro. A Fifa e o COB já botaram as barbas de molho e seu aparato jurídico está pronto para o combate. Afinal, apenas para a Copa do Mundo foram comercializados 700 milhões de dólares em cotas de patrocínio.

Enquanto isso a pirataria corre solta em nosso país.

Dois campeões mundiais – duas realidades

As duas últimas façanhas brasileiras no esporte olímpico foram o campeonato mundial de ginástica conquistado por Diego Hypólito e a medalha de ouro de Kaio Márcio no mundial de natação em piscina curta.

Entretanto, o interesse das empresas pelos atletas tem se mostrado bastante diferente. Enquanto Kaio tem até recusado algumas ofertas, por absoluta falta de espaço para logomarcas dos patrocinadores em seu uniforme, Diego conseguiu no máximo uma renovação com o seu antigo patrocinador, a Redecard.

O que acontece ? Será apenas porque um possui uma estrutura profissional para cuidar destes assuntos e outro não ? Ou existirá outro motivo ? A pergunta está no ar.

Unimed suspende patrocínio a esportes olímpicos

A notícia ainda carece de confirmação oficial, mas parece mesmo verdade. Segundo nossa fonte, a Unimed tem reclamado do fato de que seu atletas disputarão o Pan de 2007, uma competição organizada pelo COB e patrocinada pela Golden Cross, sua grande concorrente no mercado de planos de saúde.

Pessoalmente não acredito nesta versão, pois isso já aconteceu nos Jogos Olímpicos de Atenas, sem qualquer manifestação de contrariedade pela Unimed. Acho que a empresa anda gastando recursos demais com o Fluminense, esgotando o seu cofre para investimento no esporte olímpico.

Paula Baracho reclama da falta de patrocínio

A nadadora pernambucana radicada em São Paulo lamenta o fato de ser a única atleta de ponta da natação brasileira sem qualquer patrocínio. O fato não deixa de ser preocupante, afinal Paula foi medalhista nos Jogos Pan Americanos de Santo Domingo e participante do time feminino do revezamento 4x200m livre, que chegou às finais das Olimpíadas de Atenas. Ela é uma das oito atletas da história da natação brasileira que tiveram a honra de nadar uma final olímpica.

Por isso acredito que esta é uma boa oportunidade para os empresários – principalmente os nordestinos - apoiarem a atleta, que certamente ainda dará muitas alegrias à natação brasileira. Ainda mais agora que o esporte apresenta uma geração vitoriosa, liderada por valores como Kaio Márcio, Thiago Pereira, Flávia Delaroli e Mariana Brochado, despertando a atenção da mídia para a modalidade.

Sem trocadilho com a sede do mundial de natação e das próximas olimpíadas, apoiar a Paula é um negócio da China !

Ricardo Buarque é sócio diretor da Enter Assessoria de Comunicação, uma empresa especializada em assessoria de imprensa e marketing esportivo. Durante 15 anos trabalhou na área de Marketing & Comunicação da Unisys Brasil, onde iniciou a política de apoio ao esporte mantida pela empresa até hoje.
ricardo.buarque@internativa.com.br