Marketing Esportivo


Novas Tecnologias e o Esporte.

Atenção dirigentes ligados aos esportes olímpicos ! Surgem no horizonte aliados valiosos na luta pelos espaços na mídia – a internet e a telefonia móvel.

Qualquer leitor desavisado pode constatar que 80% do espaço editorial esportivo nos jornais e TVs são ocupados pela principal religião brasileira: o futebol. Os 20% restantes são disputados acirradamente pelas demais modalidades esportivas, que mobilizam suas estruturas de assessoria de imprensa (quando existem) para divulgar seus resultados e criarem pautas criativas para manter a visibilidade de seu esporte viva nos períodos “off competition”.

Apesar deste desequilíbrio, milhares de aficcionados (no caso de algumas modalidades chegam aos milhões) mantêm especial interesse pelo esporte olímpico. Para atender esta demanda reprimida, as novas mídias prometem levar “a montanha a Maomé”.

Para exemplificar esta atuação vamos fazer um exercício de futurologia: imaginem um fã de natação tendo acesso a um portal web, onde ele poderá encontrar todas as informações sobre o seu ídolo, estatísticas, vídeos das provas, áudio de entrevistas, imagens para papel de parede, fotos das competições e muito mais. Indo um pouco mais longe, imagine este mesmo fã, recebendo em seu celular a notícia de que um novo recorde mundial foi quebrado há exatamente dois minutos (!). Melhor ainda, tendo a possibilidade de assistir ao vídeo da prova e a fotos do recordista no podium.

Adivinhação. Coisa de fã de ficção científica. Não !!! Esta realidade já pode estar disponível nas pontas dos nossos dedos e se transformar numa propriedade a ser exigida por possíveis patrocinadores. Além da aura de modernidade que uma ação de comunicação como essa traz para o esporte, este novo conceito de relacionamento com o torcedor, pode reverter em uma imagem extremamente positiva para os seus patrocinadores.

Está proposto então o desafio aos dirigentes esportivos !!!

Direito de Imagem – Uma questão polêmica

Um dos casos mais famosos no marketing esportivo foi a recusa da jogadora de vôlei, Jackeline Silva (Jackie) de utilizar uniforme de treinos e competição com a logomarca da empresa patrocinadora da modalidade. Na ocasião a atleta alegou que não era justo que o patrocinador se beneficiasse da sua imagem, sem que qualquer contrapartida financeira fosse destinada aos atletas.

Esta postura custou a sua dispensa da seleção e um arranhão no seu relacionamento com o esporte olímpico brasileiro, que só foi superado com a sua medalha de ouro no vôlei de praia nos Jogos de Atlanta – a primeira conquistada por uma mulher na história do nosso esporte.

Passados tantos anos, a polêmica continua viva. A cada edição dos Jogos Olímpicos assistimos os mesmos conflitos entre o fornecedor de material esportivo do Comitê Olímpico Brasileiro e os que patrocinam individualmente os atletas brasileiros.

Pior ainda: como finalmente a iniciativa privada têm ampliado seus investimentos no esporte - como fazem a Telemar/Oi, Brasil Telecom, Bombril, Coca-Cola e outras - será praticamente inevitável o confronto com os patrocinadores das confederações nacionais pelo direito de imagem dos atletas.

Se os contratos não forem bem “amarrados” e tudo muito bem explicado, esta questão tem tudo para dar uma boa encrenca e afastar as empresas interessadas neste segmento.

Leve-se em consideração que os atletas estão cada vez mais profissionais e conscientes dos seus direitos, assim como as empresas contam com estruturas de marketing (terceirizadas ou não) para fazer valer o que está previsto em contrato.

Mas como toda a escuridão traz a luz, podemos estar vivendo um momento histórico, onde o esporte brasileiro se tornará mais organizado e profissional.

Ricardo Buarque é sócio diretor da Enter Assessoria de Comunicação, uma empresa especializada em assessoria de imprensa e marketing esportivo. Durante 15 anos trabalhou na área de Marketing & Comunicação da Unisys Brasil, onde iniciou a política de apoio ao esporte mantida pela empresa até hoje.
ricardo.buarque@internativa.com.br