Marketing Esportivo


A doce volta dos irmãos Hypólito.

O início de 2005, para ser mais exato no período de disputa da Copa do Mundo de Ginástica, em São Paulo, ficou marcado como o início do “inferno astral” da família Hypólito.

Nos treinos para esta competição, o caçula Diego sofreu uma séria fratura por stress na tíbia e na véspera, sua irmã Daniele deixou a seleção brasileira, por discordar dos critérios adotados pelo técnico da equipe, Oleg Ostapenko, para definição do time nacional para esta disputa.

A partir daí iniciou-se um verdadeiro calvário para a dupla. Daniele, que viria a ser campeã brasileira de ginástica um mês após o seu pedido de dispensa, repensou o seu posicionamento e através de um pedido público de desculpas reintegrou-se à seleção somente no segundo semestre do ano. Até este momento ficou fora de todas as convocações e teve que retornar ao seu clube, o Flamengo, para manter a forma e o ritmo de treinamentos.

Já Diego não sofreu com problemas disciplinares, mas viu o seu ano esportivo praticamente encerrar pela demora na sua recuperação da fratura. Para piorar a sua situação, ansioso por voltar aos treinos, Diego optou por antecipar o seu retorno e o resultado foi a ocorrência de uma nova fratura no mesmo local.

Veio o segundo semestre e com ele a retomada do caminho vitorioso de Dani e Diego. Primeiramente, Daniele mudou sensivelmente a sua postura para com a confederação brasileira de ginástica, a imprensa e seus patrocinadores. Mais madura, Daniele ganhou em sabedoria e paciência, que imediatamente foi percebida por todos. Já com a confederação o posicionamento foi de ouvir mais do que falar e aprender, aprender muito com o afastamento da seleção.

Em outubro, por ocasião do Pan-Americano de Ginástica, realizado no Rio de Janeiro, a “Pequena Notável” retornou com o talento de sempre. Foi a melhor ginasta brasileira no torneio, conquistando quatro medalhas e a admiração do público, colegas e imprensa especializada. Além disso, consolidou-se como líder da equipe, incentivando as companheiras mais novas e dando uma palavra de carinho quando a performance não era a esperada.

Enquanto isso, nas arquibancadas, Diego (ainda em recuperação) me confidenciava que sua volta estava bem próxima. Se conseguisse pelo menos 25 dias de treinamento, garantiria a sua participação no Mundial da Austrália e (segundo ele próprio) a briga pela medalha de ouro. Caso o período de treinamento não chegasse ao patamar estabelecido, Diego recomendaria a confederação que sequer o increvesse na competição.

Novembro chegou e com ele a disputa do Mundial e Diego estava lá, junto com Daniele.

Dani, considerada por muitos, como a mais completa ginasta brasileira, ratificou esta condição, conquistando um lugar entre a Top Ten na categoria “Individual Geral”, a mais difícil da ginástica, pois exige exercícios em todos os aparelhos.

Já o Diego....

Nem precisa dizer nada. Ele entrou para a história da ginástica nacional ao se tornar o primeiro homem a conseguir medalhas em Mundiais da modalidade.

Tal qual fez sua irmã no Mundial de 2001, quando também foi pioneira ao trazer pela primeira vez uma medalha para a ginástica feminina brasileira.

Espero sinceramente que este seja o primeiro capítulo de uma nova história de amor dos Hypólito com a ginástica. Um período ainda mais feliz que o início de suas carreiras, agora mais sólidas pela experiência adquirida nos tempos ruins.

Este é o momento de avaliação e de enxergar as turbulências do passado como um trampolim para novas conquistas. Nos ginásios e nas suas vidas pessoais.

É o que deseja o seu amigo.

Ricardo Buarque é sócio diretor da Enter Assessoria de Comunicação, uma empresa especializada em assessoria de imprensa e marketing esportivo. Durante 15 anos trabalhou na área de Marketing & Comunicação da Unisys Brasil, onde iniciou a política de apoio ao esporte mantida pela empresa até hoje.
ricardo.buarque@internativa.com.br