Gerência de Projetos


 Bate-papo sobre Gerência de Projetos.

"A distância entre auto-confiança e arrogância é quase imperceptível"
Jack Welch

Olá a todos! É com satisfação que estou escrevendo o meu primeiro artigo para o Internativa.

O meu tema aqui no site será Gerência de Projetos. Escrever sobre esse assunto é sempre um desafio, devido à quantidade possível de temas e abordagens, mas vamos tentar contribuir com alguma informação e trocar experiências para os leitores do site.

Sendo assim, resolvi começar dividindo com vocês um pouco da minha experiência no assunto: Certificação PMP do PMI! Vale a pena? Agrega alguma coisa? É difícil?

Em primeiro lugar, vale ressaltar aqui a minha total concordância com o nosso amigo Luiz Castro, que, em artigo aqui no Internativa, fala da importância das certificações para avaliar um profissional e principalmente um Gerente de Projetos. A certificação do PMI se tornou um ponto importante para qualquer um que almeje trabalhar em alto nível na área de Projetos, hoje é uma commodity para qualquer GP de bom nível. Esse foi um dos motivos causadores de uma corrida para a certificação tal qual a corrida ao ouro. Isso tudo porque o PMI anunciou uma nova versão do seu PMBOK (material do PMI com as boas práticas de Gerência de Projetos) e algumas mudanças na avaliação dos candidatos a partir de Setembro de 2005 (aumento do percentual mínimo de acerto para certificação, na prova nova algumas perguntas serão apenas para bases estatísticas e não serão computadas para a certificação, aumento do número de páginas do PMBOK etc.).

Essa corrida foi em busca de uma afamada “maior facilidade” na certificação nos moldes atuais (até final de Setembro de 2005), e parece ter dado resultado tendo em vista a quantidade de e-mails que as listas de discussões têm disparado com os esfuziantes “passei”, “consegui” etc.

Vamos entender, segundo o site do PMI-Chapter Rio, quem é elegível para fazer a prova:

Os candidatos devem atender aos requisitos educacionais e de experiência separados em duas categorias:

Categoria 1

  • Portadores de diploma de nível superior;
  • Mínimo de 4.500 horas de experiência na área de gerenciamento de projetos;
  • Mínimo de 3 anos de experiência na área de gerenciamento de projetos dentro de um período de até 6 anos anteriores à submissão da aplicação para a certificação;
  • Devem ser indicados no mínimo 36 meses (sem sobreposição) de experiência na área de gerenciamento de projetos;
  • Comprovação de pelo menos 35 horas/aula de treinamento formal em gerenciamento de projetos.

Categoria 2

  • Portadores de diploma de nível secundário;
  • Mínimo de 7.500 horas de experiência na área de gerenciamento de projetos;
  • Mínimo de 5 anos de experiência na área de gerenciamento de projetos dentro de um período de até 8 anos anteriores à submissão da aplicação para a certificação;
  • Devem ser indicados no mínimo 60 meses (sem sobreposição) de experiência na área de gerenciamento de projetos;
  • Comprovação de pelo menos 35 horas/aula de treinamento formal em gerenciamento de projetos;

Eu sou um dos que já passou pelo calvário da certificação do PMI. Primeiro existe um mito em torno da prova quanto à sua dificuldade. A prova não é fácil, se fosse não teria valor de mercado, mas também não é algo assustador. O ponto mais complicado da prova não está na dificuldade das perguntas dentro de seus temas, mas sim no amplo campo de conhecimento que a prova abrange. Eu explico: as perguntas sobre EVA não são difíceis dentro do tema EVA, mas o problema é precisar saber EVA, PERT, CPM, Gerência de Riscos, Tempo, Aquisições... e mais um mundo de coisas. Enfim, o problema é a quantidade de conteúdo a ser absorvido.

O PMBOK não cobre todos os assuntos abordados na prova, o indicado é que ele representa em torno de 70% do conteúdo da prova, mas particularmente acredito que esse número deve ser menor. Já que alguns temas abordados pelo PMBOK estão presentes nele de forma muito superficial, e se você pretende ir para a prova com um bom grau de confiança é melhor tratar de se aprofundar nesses temas.

No meu caso o estudo foi baseado no PMBOK, livros da Rita Mulcahy, Harold Kerzner e Kim Heldman; e, claro, simulados, muitos simulados, simulados até morrer. Eu devo ter feito em torno de 5.000 questões de simulados entre simulados da Rita, Kerzner e Kim. Na verdade meu estudo foi muito mais focado no simulado no que na leitura do material propriamente dito. Mas isso depende do ritmo de aprendizado e como cada um prefere estudar, eu preferi fazer uma leitura rápida de todo material, fazer simulados e depois buscar no material os pontos onde estava mais fraco nos simulados.

Posso dizer que o ponto chave é: Fazer Simulados! Porque normalmente a prova se torna mais difícil para alguns, a partir do momento que a pessoa tem alguma experiência na área, e então tem a tendência de utilizar a sua experiência para responder as questões ou mesmo para indagar se as questões e respostas fazem sentido. Mas lembre que elas foram formuladas por americanos. Claro, eles deveriam estar cientes de que a prova é mundial e que perguntas situacionais podem ter suas respostas alteradas em função de diversos fatores, inclusive o fator Cultural. Mas sinto dizer que eles não pensaram muito nisso.

Certamente que durante a prova, na hora do aperto, a experiência profissional é importantíssima. Mas não se engane, vivemos em outra realidade, com fatores que afetam o nosso julgamento em relação ao que seria o julgamento de um inglês ou americano, ou um argentino. Além disso, no nosso dia-a-dia, temos o famoso “jeitinho” e nem sempre fazemos tudo como deveria ser.

A importância dos simulados está no fato de que, ao exercitar as questões, você começa a entender melhor como funciona a mecânica da coisa, ou eu devo dizer a mecânica do pensamento americano!? Como dizia um ex-professor “você precisa pensar em PMBOKÊS”. Mas a prova, como já disse, não é nada de morrer de medo. Mas são necessários dedicação, estudo e simulados (muitos simulados).

É importante registrar que a certificação traz benefícios importantes para o profissional certificado:

  • Melhoria da empregabilidade;
  • Comprovação de conhecimento, por instituição neutra e idônea;
  • Uso de título reconhecido;
  • E outros.

E para o empregador:

  • Melhor competitividade no mercado por possuir gerentes de projetos qualificados que estão alinhados com metodologias reconhecidas internacionalmente;
  • Melhor desempenho de custo, prazo e qualidade nos projetos geridos por profissionais certificados;
  • E outros.

Eu, particularmente, rezo fervorosamente para que o mercado não comece a contratar Gerentes de Projetos apenas pelo título de PMP, o que seria um erro. A certificação é um parâmetro, mas não pode ser o único. Como dizia aquele slogan famoso “Nada substitui o talento!”, e isso continua a ser verdade em qualquer área e em qualquer situação. Se pensarmos que a certificação basta, vamos precisar dizer também que o PMP que fez a certificação no modelo novo é melhor do que aquele que tirou a certificação no modelo antigo? Claro que não!

É fato que a qualidade de um Gerente de Projetos precisa necessariamente estar além de uma certificação seja ela qual for, e precisa estar principalmente em aspectos que são bastante difíceis de medir como Relacionamento, Liderança, Negociação, Visão de Negócio etc. O ideal é um profissional que consiga alinhar habilidades essenciais, ou seja, talento, para a função e as Certificações. Esse profissional não é fácil de ser encontrado, e por isso ele é tão bem falado e normalmente ganha, ou deveria, proporcionalmente à sua importância estratégica dentro da organização.

“ Progresso é a realização de utopias ”
Oscar Wilde

Se você busca, ou pensa em buscar, uma posição na área de Projetos, tenha em mente que é necessário muito mais que uma certificação debaixo do braço. Mas é possível sim conseguir entrar no setor, o mercado está bem aberto no Brasil e pede por profissionais eficientes e eficazes. Mas é preciso batalho, estudo, paciência e perseverança.

Aqui termina esse primeiro artigo, que foi muito mais um bate-papo do que qualquer outra coisa. Fica aqui o compromisso de nos próximos artigos abordarmos temas diretos da área. Alguns temas que penso em abordar aqui na coluna: Fábrica de Software, WBS, Indicadores de Projeto, EVA, RUP, Gestão de Pessoas etc. Fica aqui também aberto o canal para qualquer sugestão de tema, dúvidas e críticas.

Obrigado a todos e até a próxima!

Andre J. B. Rodrigues - Gerente de ProjetosAndré J.B. Rodrigues é Gerente de Projetos e profissional da área de TI com mais de 11 anos de experiência, certificado como PMP (PMI) e ITIL Foundations.
andre.rodrigues@internativa.com.br