Engenharia de Software – Como surgiu, pra que serviu ?A Luz no fim do túnel.
E eis que surgiu a luz. Conscienciosos profissionais americanos decidiram padronizar tudo aquilo que viria a ser um dos maiores filões de mercado no século XX, o “Software”. A Engenharia de Software surgiu para que todos na área de TI “falassem” a mesma língua, algo parecido com o inglês como padrão de comunicação entre os povos. Modelos de desenvolvimento foram criados baseados principalmente na experiência deles e de suas equipes. Métodos, processos, normas... tudo sendo colhido, testado e aplicado para gerar uma metodologia elementar para qualquer projeto. Esse movimento começou no fim dos anos 70, ganhando muita forca nos anos 80. Nesse período só existiam os “mainframes”. E bota “mainframe” nisso. Eram computadores que ocupavam várias salas, exigiam grandes espaços. A famosa fitoteca (saudades !) era o lugar onde eram guardadas as fitas carretéis para as maiúsculas unidades de fita. Grandes tempos. Mas eram computadores caros e que exigiam processamento paralelo intenso. Imagina um sistema rodar por horas e no final apresentar um problema ? Imagina o custo disso ? Alguns milhares de dólares por problema. E quantas vezes isso ocorria ? Algo em torno de 20 %. Se levarmos em conta que cada erro ocupava 1 hora do processamento então teremos 20% das horas mensais de um “mainframe”, seis dias ininterruptos, de erro ! Agora imagina quando tinha um fechamento do Financeiro-Contábil trimestral que levava dias executando. E se desse um problema (o que era comum) poderia levar semanas para se identificar, consertar e executar de novo. Muitas vezes era necessário executar novamente o sistema só para tentar identificar a fonte do erro. Era o chamado MTE (Método de Tentativas e Erros). Dava para viver assim ? Para alguns era a famosa oportunidade. Para as empresas, desperdício e incompetência. Natural que surgisse um estudo para melhorar a imagem do software, principalmente um que fosse patrocinado por empresas que prestavam serviços de consultoria em TI.
Lembro que houve uma época em que todo mundo queria “mexer com computador”. Não era pra muitos. Entrar no mercado de “mainframes” exigia habilidade específica. Mas era um mercado promissor e com bons salários. Mas era preciso profissionalização.
Então a luz tornou-se mais forte. Como os livros americanos eram muito caros e não disponíveis no mercado brasileiro, cursos eram patrocinados pelas maiores empresas no exterior. Capacitação dos profissionais nos Estados Unidos e conseqüentemente a difusão das novas técnicas e metodologias no mercado nacional. O leitor mais novo pode estar achando que sou mentiroso, mas é verdade. As empresas brasileiras já gastaram milhões de dólares em formação de pessoal no exterior por causa dessa Engenharia de Software. Bons tempos que não voltam mais. Finalmente falávamos a mesma língua, pelo menos na era do COBOL.
E eis que a luz foi identificada. Sim, era o trem. Mas o que parecia a primeira vista um trem “Maria Fumaça” era na verdade um “VLT” (aquele trem japonês que corre a mais de 400 Km/h sem tocar nos trilhos). Surgia a interminável era do micro computador pessoal. Agora imagine: se num mundo onde existia controle ao acesso do computador (somente os operadores tinham acesso ao mainframe) já existiam problemas com a confecção de softwares, imagina num computador em que as pessoas com um mínimo de informação sobre software tem acesso livre, sem comprometimento nenhum com os métodos e padrões de desenvolvimento. Por isso torna-se cada vez mais necessárias leis que normatizem esse assunto. Mas isso é outro assunto. Deixo pra vocês a indicação dos ótimos autores Roger S. Pressman, que mantém sempre atualizado seu conteúdo e possui títulos em português, e do também excelente Harold Kerzner, este mais voltado para Gerência de Projetos e com traduções também em português.
Luiz Castro é “Senior Consultant” de uma multinacional.
luiz.castro@internativa.com.br